Rabiscos de um recomeço

Terminei a faculdade pouco antes do Natal. Na altura, parecia-me que tinha alcançado a maior das vitórias: anos de estudo, noites mal dormidas, trabalhos entregues à pressa, apresentações intermináveis e tudo isso finalmente recompensado com um diploma que brilhava mais do que qualquer luz de Natal. Durante aquelas semanas festivas, senti-me rodeada de sorrisos, conversas e entusiamo, mas, ironicamente, quanto mais o barulho das festas diminuía, mais esta sensação de desassossego crescia dentro de mim.

Depois da passagem de ano, enquanto a cidade voltava lentamente ao ritmo habitual, eu sentia-me estranhamente estagnada. As ruas ainda tinham as decorações, mas eu parecia congelada num tempo que não sabia preencher. O calendário de janeiro mostrava-me dias em branco, e com eles vieram perguntas que não tinham resposta: para onde vou agora? O que quero realmente? Valeu a pena todo este esforço se não sei qual será o próximo passo?

Os dias começaram a arrastar-se, um a seguir ao outro. Acordava sem vontade, tomava café quase sem gosto, perdia tempo nas redes socias e às vezes lá ia vendo anúncios de emprego, estágios e cursos, mas nada me motivava verdadeiramente. Comparava-me aos meus colegas que já pareciam ter tudo planeado: uns iam viver 6 meses para Londres, outros já tinham empregos, outros viajavam, alguns até pareciam ter encontrado a felicidade sem terem feito qualquer esforço para isso. Eu sentia-me desorientada, perdida num mar de possibilidades que, por enquanto, não pareciam nada concretas.

Numa dessas tardes cinzentas, o frio de janeiro entrava pelas janelas do meu quarto, e eu vagueava pelo espaço sem saber o que fazer, quando reparei numa prateleira antiga. Entre livros e objetos esquecidos, lá estava ela: uma caixa metálica vintage, com o mapa-múndi desenhado na tampa, já um pouco riscada pelo tempo. Lembrei-me de tê-la visto durante a adolescência, sempre guardando lápis. Uma sensação de nostalgia apoderou-se de mim, e, quase instintivamente, abri a caixa. Dentro estavam vários lápis, alguns curtos, outros ainda intactos, também eles com o desenho do mundo, como a caixa. Peguei num e senti, pela primeira vez em semanas, uma espécie de curiosidade, uma vontade de criar algo só meu. Ao lado da caixa, havia um caderno em branco que há muito tinha esquecido, e foi nele que comecei a rabiscar, sem saber ao certo o que saía de mim.

O primeiro desenho foi um avião a sobrevoar a Ásia, com nuvens feitas de pequenos traços soltos. Depois, desenhei malas e mochilas espalhadas, mapas, cidades e lugares que sempre quis visitar. A cada página, as ideias fluíam: eu a experimentar novos hobbies, talvez a pintar, a cozinhar, a aprender a tocar guitarra, a correr num parque de manhã cedo ou a fazer pilates. Desenhei também pequenas cenas da vida profissional que queria construir: um escritório luminoso só meu, eu sentada à secretária num estágio na minha área, a aprender, a crescer, a sentir que cada esforço feito estava a ser recompensado.

Mas não fiquei por aqui. Comecei também a desenhar rostos novos, cafés cheios de risos, conversas inesperadas e profundas com pessoas que me inspiravam, amizades a formar-se aos poucos. A cada rabisco, sentia uma espécie de peso a sair do meu peito. Não eram apenas sonhos, eram lembranças claras do que me fazia sentir viva, do que me importava de verdade.

Passei horas a desenhar. O caderno encheu-se de páginas desenhadas e desabafos espontâneos, e com ele, o meu coração parecia alinhar-se de novo comigo. A confusão e o desânimo começaram a dar lugar a algo mais leve: uma sensação de clareza interna. Olhei para todas aquelas páginas e percebi que, finalmente, via o caminho. Não seria imediato, não haveria milagres, mas tinha de encarar esta fase com necessária para clarificar o que quero fazer, e agora sabia que estes eram os meus objetivos principais, aquilo que realmente queria viver.

Fechei o caderno e respirei fundo. Janeiro, com o seu frio e a sua monotonia, já não parecia tão pesado. Não tinha respostas para tudo, mas tinha um plano, ainda que rabiscado, ainda que simples: focar-me, todos os dias um pouco, em tornar aqueles desenhos realidade. Um passo de cada vez, candidaturas enviadas, aulas experimentais, planos de viagem, pequenos encontros, pequenos projetos e, com isso, a sensação de estagnação foi-se dissolvendo.

Sentada ali, com o caderno e a caixa vintage ao meu lado, percebi que reencontrar o meu rumo só dependi de mim e que tinha de ser eu a fazer por isso.

Conjunto de lápis Vintage World Maps

O conjunto de lápis Vintage World Maps da Cavallini combina qualidade superior com um design vintage, inspirado na autenticidade das imagens dos arquivos da marca. Cada lata contém 10 lápis HB nº2 afiados, que oferecem um toque suave e um traço médio escuro, ideais tanto para escrever como para desenhar com precisão.

Os lápis apresentam dois padrões distintos, ambos remetendo ao charme nostálgico das ilustrações vintage Cavallini, presentes também na própria lata. Inclui ainda um apara-lápis, tornando este conjunto perfeito para quem valoriza detalhes sofisticados e a reconhecida qualidade Cavallini. Uma escolha elegante também para oferecer como presente.

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