A criar memórias através de gestos

Este foi o dia que mais me custou. Enquanto percorria os corredores do hospital, não sabia o que fazer ao coração de tão forte que batia. As pernas, de tão fracas, pareciam ter desistido de fazer parte do meu corpo. Olhava em volta à procura do número do quarto, mas quem consegue processar informação e agir com alguma praticidade perante uma situação destas? Certamente não eu, pensei.
Lá consegui respirar fundo e concentrei-me: tinha de virar à direita. Ao espreitar pela porta, lá estava ela, deitada na cama.
Fui caminhando devagar até ela, numa tentativa de também eu me acalmar, até ao momento em que os nossos olhares se cruzaram. Toquei-lhe levemente no ombro e ela virou-se para mim e disse:
“Oh minha querida, estás aqui?”
“Que grande susto nos pregaste, vó.”
E estivemos abraçadas no que pareceu uma eternidade, daquelas que não se quer que acabem nunca.
Mais tarde o médico reuniu comigo e sossegou-me: disse que a minha avó estava bem, mas iria precisar de alguns cuidados e estímulos no braço esquerdo para recuperar os movimentos. Ouvi tudo com a máxima atenção. Estava decidida a ajudá-la a retomar a sua vida com o máximo de qualidade possível.
Quando ela voltou para casa, comecei a encontrar-me com ela todas as manhãs. Íamos dar uma pequena caminhada juntas, sempre ao ritmo dela, e depois sentávamo-nos à mesa. Eu fazia algumas atividades para estimular o braço esquerdo e, como a minha avó era esquerdina, optámos por muitos exercícios de escrita.
Levei uma caixa metálica vintage com vários lápis, com ilustrações belíssimas, que ela própria me tinha oferecido quando eu era pequena. Foi com muitos desses lápis que também eu aprendi a escrever, agora era a vez dela.
Jogávamos ao stop, escrevíamos histórias com temas sugeridos, jogávamos ao jogo do galo e à batalha naval. Com o tempo, começámos também a fazer journaling, deixando sair para o papel tudo aquilo que sentíamos.
Com o passar dos dias e das semanas, a mobilidade dela começou a melhorar, mostrando sinais muito positivos de recuperação. Mas não foi só fisicamente: mentalmente, a minha avó estava mais bem-disposta, alegre e tranquila. E aquele momento só nosso acabou por estreitar ainda mais a nossa ligação.
Até que, numa manhã qualquer, enquanto jogávamos ao stop, ela parou a meio de uma palavra. Ficou a olhar para o lápis na mão durante alguns segundos e sorriu.
“Sabes… eu sempre escrevi melhor contigo ao lado.”
Estranhei. Achei que fosse apenas uma frase bonita, dessas que os mais velhos dizem sem pensar muito.
Mas ela continuou:
“Na verdade, acho que não foi só o braço que recuperou. Foi a vontade de voltar a viver.”
Fiquei em silêncio. Não consegui responder.
E, pela primeira vez desde o dia do hospital, senti que o coração já não me doía ao lembrar aquele momento. Doía-me outra coisa: a hipótese de pensar que um dia poderia deixar de ver o mundo como o vejo agora.
Conjuntos de lápis Cavallini
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Ideais para tomar notas, sublinhar ideias ou dar forma a pensamentos no papel, adaptam-se facilmente a diferentes estilos de utilização. A sua escrita uniforme ajuda a manter a legibilidade e o controlo em cada palavra.
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Compacta e prática, esta embalagem foi pensada não só para proteger os lápis, mas também para os transportar com facilidade, tornando-os uma escolha ideal para estudantes, profissionais ou qualquer pessoa que valorize qualidade e simplicidade no seu material de escrita.











