Deixar a criatividade fluir!

Durante muito tempo convenci-me de que gostava exatamente da vida que tinha e, na verdade, gosto. Trabalho num escritório de contabilistas, num ambiente muito objetivo e analítico, com dias preenchidos pela organização e cálculos. Sempre fui boa no que faço, e isso foi suficiente para nunca questionar demasiado, mas, nos últimos tempos, comecei a sentir um cansaço estranho, como se os dias fossem todos demasiado iguais. Estava constantemente ocupada, no entanto tinha a sensação de nunca estar verdadeiramente preenchida e esse sentimento começou a instalar-se sem pedir licença.
Nesse domingo acordei com esse peso outra vez no peito. A casa estava silenciosa e nada parecia captar a minha atenção, nem o telemóvel, nem a televisão, nem o café que deixei arrefecer ao meu lado e que tanto gosto. Precisava de qualquer coisa diferente, mesmo sem saber bem o quê, e foi quase por impulso que subi ao sótão à procura de um livro que preenchesse de imediato essa sensação. Abri a porta e fui recebida pelo cheiro a pó e a tempo parado, caixas esquecidas, memórias empilhadas, versões antigas de mim que já não visitava há anos.
Comecei a mexer nas coisas sem pressa até que a vi, a tela encostada a um canto, como se tivesse sido deixada ali só por uns dias, quando na verdade já lá estava há anos. Ao lado, alguns posters com ilustrações vintage que eu costumava colecionar, e mais abaixo, quase escondida, a caneca. Peguei nela de forma quase automática. Era a mesma de sempre, com pequenas flores desenhadas à volta, ligeiramente gastas, mas ainda extremamente bonitas. Peguei nela e lá dentro encontrei os pincéis, alguns duros, outros ainda marcados por tinta antiga. Fiquei ali parada, a olhar para aquilo, com uma pergunta a surgir instantaneamente: quando é que eu deixei isto para trás?
Não houve uma resposta clara, porque não aconteceu de repente. Foi acontecendo aos poucos, muita entrega e dedicação ao trabalho, menos tempo, mais responsabilidades, menos espaço, até que, sem dar conta, deixei de parte. Ainda com a caneca na mão, levei-a até à mesa e sentei-me em frente à tela em branco. Parte de mim quis levantar-se logo, disse-me que aquilo já não era para mim, que nem saberia por onde começar, mas outra parte, mais silenciosa, insistiu que talvez não precisasse de saber.
Agarrei num pincel, abri um tubo de tinta sem pensar demasiado e deixei a primeira linha sair. Não ficou bem, nem sequer perto disso, e por um segundo pensei em parar, como faria antes, mas dessa vez não me pareceu assim tão importante. Fiz outra linha, depois outra, misturei cores sem grande lógica e deixei de tentar controlar o resultado. Aos poucos, sem perceber bem como, deixei de pensar no trabalho, nas tarefas, na semana que vinha aí, e fiquei só ali, no gesto, no movimento, naquele ritmo simples e contínuo.
Quando finalmente parei, a luz já tinha mudado e o tempo tinha passado sem que eu desse por isso. Pousei o pincel dentro da caneca e fiquei a olhar para a tela. Um campo repleto de flores silvestres. Não estava perfeito, nem precisava de estar, mas era a primeira coisa em muito tempo que tinha sido feita de forma fluída, sem ser planeada e orquestrada.
Foi nesse momento que percebi que nunca deixei de ser criativa, só deixei de lhe dar espaço. Fui-me convencendo de que não era importante, de que podia esperar, de que havia sempre outras prioridades. Durante demasiado tempo associei criatividade a talento, a profissão, a algo distante daquilo que eu fazia todos os dias, mas a verdade é que não é assim tão limitada.
Posso trabalhar com números, com lógica, com decisões racionais e continuar a ser criativa na mesma. Uma coisa não anula a outra, pelo contrário, complementam-se e tornam-me mais completa, mais equilibrada, mais presente.
Gosto do meu trabalho, gosto da vida que construí, mas isso não tem de excluir tudo o resto. Percebi que não preciso de mudar tudo para voltar a sentir isto, só preciso de voltar mais vezes, de criar espaço mesmo nos dias mais cheios, de não esperar pelo momento perfeito para começar.
Antes de sair, olhei outra vez para a tela e, quase sem pensar, deixei a caneca no sítio, com os pincéis já limpos e prontos.
Caneca Vintage Cavallini
As canecas de cerâmica da Cavallini distinguem-se pela combinação entre qualidade, estética e funcionalidade. Com capacidade de 414 ml, apresentam-se decoradas com ilustrações vintage cuidadosamente selecionadas dos arquivos da marca, evocando um estilo clássico que acrescenta elegância e um toque de nostalgia ao dia-a-dia.
Para além do seu uso prático, estas canecas destacam-se também por serem uma bela peça decorativa, capaz de enriquecer qualquer espaço com a sua elegância intemporal. Cada caneca vem embalada numa bonita caixa de apresentação ilustrada com o mesmo padrão, tornando-a numa opção especialmente apelativa para oferta.
Seja para uso pessoal ou para oferecer, as canecas Cavallini combinam atenção ao detalhe, durabilidade e um design distinto que as torna únicas.











