Prometemos Neste Jardim


Nunca pensei que um dia tão banal pudesse transformar-se em algo tão marcante. Tinha acabado de chegar ao prédio, ainda com a cabeça a mil, cheia de pensamentos do trabalho e da lista de coisas por fazer, quando fui esvaziar a caixa do correio. Entre contas, publicidade e aquelas revistas que insisto em não cancelar, algo diferente chamou-me a atenção — um postal. Só isso já seria estranho nos dias que correm, mas havia algo nele que me fez parar por instantes. A imagem era lindíssima, quase única, uma ilustração vintage de gatos a brincar sobre um tapete antigo, com um ar vintage que parecia ter saído de outra época.

Peguei nele com cuidado, como se fosse uma peça frágil, e virei-o para ver quem mo teria enviado, mas do outro lado não havia mensagem, assinatura ou pista, apenas uma linha, bem centrada, escrita à mão com uma caligrafia firme e delicada:

“Jardim da Sereia — 15h00 — 15 de Maio”.

Fiquei uns segundos a olhar para aquilo, à espera que mais qualquer coisa se revelasse, mas nada aconteceu. Era só aquilo. E o mais surpreendente era a data, que era já amanhã. A minha cabeça começou logo a questionar-se, cheia de perguntas. Quem teria enviado aquilo? Porquê aquele local? Seria seguro ir? Seria uma partida? Um reencontro? Um erro? Mas o Jardim da Sereia... conhecia-o tão bem. Era mesmo em frente à escola onde passei grande parte da adolescência, e recordo-me de ter passado ali tantas tardes, sentada num banco de madeira com os amigos, a conversar, a rir, a sonhar acordada. E como era durante o dia, num local público, senti que mal não faria ir. A verdade é que a curiosidade já tinha tomado conta de mim e sabia que não conseguiria simplesmente ignorar aquilo e ficar em casa.

No dia seguinte, cheguei ao jardim por volta das duas e quarenta e cinco. A primavera estava no seu auge, as árvores cheias de folhas, o ar morno, as flores silvestres a nascerem livremente, e aquele cheiro característico da relva acabada de cortar misturada com os sons dos pássaros. Dirigi-me ao banco do costume, o mesmo onde passei tanto tempo depois das aulas, e sentei-me devagar, como se estivesse a visitar uma versão mais nova de mim mesma. Passei a mão pela madeira envelhecida, à procura de vestígios do passado, e não contive um sorriso ao encontrar, quase apagado, um coração com iniciais dentro, tal como fazíamos quando tínhamos a certeza de que tudo seria eterno.

Estava distraída, imersa nas memórias, quando ouvi uma voz não ouvia há anos, mas que me soou imediatamente familiar.

— “És mesmo tu?”

Demorei um ou dois segundos a reagir, como se a minha mente precisasse de tempo para encaixar a realidade, mas quando me virei o tempo pareceu parar. Era o André, o meu melhor amigo de então, o companheiro de todas aquelas tardes neste jardim, com quem falava sobre tudo e sobre nada, com quem partilhava sonhos, dúvidas, planos e silêncios. Aquele que me conhecia melhor do que ninguém e que, com o passar dos anos, simplesmente deixou de estar presente. A vida levou-nos por caminhos diferentes, e embora nunca tenha havido zangas nem discussões, deixámos de falar, deixámos de procurar, como se o tempo tivesse empurrado a nossa amizade para o fundo de uma gaveta.

Levantei-me de imediato, o coração a bater forte como se tivesse dezasseis anos outra vez, e abracei-o sem pensar. Estava diferente, mais adulto, mais maduro, com o rosto ligeiramente marcado pelo tempo e pelas viagens que viria a contar-me depois, mas o brilho nos olhos era o mesmo: aquela inocência e ternura que sempre o caracterizou.

Sentámo-nos no banco como se os anos não tivessem passado e começámos a conversar com a naturalidade de quem nunca se afastou. Contei-lhe que acabei por ficar por aqui, nesta cidade onde tudo começou, que realizei alguns sonhos, deixei outros por cumprir e fui vivendo, entre alegrias e rotinas. Ele falou-me das viagens, de países distantes, das noites passadas em aeroportos, dos sítios onde se sentiu perdido e dos lugares que o fizeram sentir em casa. Disse-me que, em todas essas experiências, havia sempre uma parte dele que regressava aqui, à terra natal, às ruas onde aprendeu a ser quem era, e que agora que voltara.

— “Passei na tua rua,” contou-me com um sorriso. “Toquei à campainha, mas ninguém abriu. Pensei que já não vivesses lá. Fiquei lá parado uns minutos sem saber o que fazer, e lembrei-me do postal. Comprei um set de papelaria numa loja pequenina no sul de França, e escolhi este postal porque me fez lembrar de ti, os gatos, o estilo antigo... Escrevi só o essencial, o lugar, a data, a hora. Se fosses tu, ias entender. E vieste.”

Fiquei sem palavras. Tudo aquilo fazia sentido agora!

“Sabes, foi aqui que prometemos, um dia, ser amigos para sempre. E durante muito tempo deixámos essa amizade por regar, mas acho que ela nunca secou. Está aqui, viva, à espera de atenção. Por isso, vamos podá-la, cuidar dela, e fazê-la durar. O que dizes?”

Olhei para ele, com os olhos brilhantes e o coração cheio, e respondi sem hesitar:

— “Para sempre desta vez.”

E ali ficámos, no mesmo banco onde tudo começou a falar de tudo e de nada, como se o tempo, afinal, não tivesse passado por nós.


Sets de Papelaria Cavallini


Os Sets de Papelaria “Cats” da Cavallini são perfeitos para quem gosta de escrever cartas, bilhetes ou mensagens especiais com sentimento, com um toque de intemporalidade e elegância.


Cada conjunto inclui:

  • 8 cartões lisos com envelopes, ótimos para mensagens rápidas ou convites.
  • 8 notas dobradas com envelopes, perfeitas para cartas mais longas.
  • 4 folhas de autocolantes decorativos.


Todos os elementos do conjunto são ilustrados com imagens encantadoras de gatos, retiradas dos arquivos vintage da Cavallini. Os desenhos têm um ar nostálgico e elegante, que dá um toque especial a cada mensagem que escreva.

Com este conjunto, pode soltar a sua criatividade e tornar qualquer correspondência mais bonita e única, seja para um amigo, um familiar ou até para acompanhar um presente. É uma forma simples e sofisticada de mostrar carinho e atenção através de pequenos gestos e detalhes.



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